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Espiritualidade na tradição das FSCJ


Capela de Sao Martinho da Serra O termo espiritualidade remete a espírito, sopro, “ruah”, à fonte da vida, ato criador de Deus. Tem a ver com êxodo, processo, passagem de etapa em etapa até a plena maturidade em Cristo. Espiritualidade e sabedoria, duas faces da mesma medalha. Espiritualidade é também profecia. A tradição espiritual de uma congregação torna-se profecia para o povo, resposta aos seus clamores, num determinado momento da história.

O Fundador, Giuseppe Benaglio, na véspera da fundação da Congregação das Filhas do Sagrado Coração de Jesus escrevia à Santa Teresa Verzeri e Giuseppa Vallaperta, ainda no mosteiro de Santa Grata, anunciando-lhes que a data, 8 de fevereiro de 1831, fora escolhida por ser a comemoração de São Jerônimo Emiliano que dedicara sua vida aos jovens, aos pobres e doentes, propondo-o como modelo e protetor especial. Com esta escolha, Mons. Benaglio indicava as grandes opções das FSCJ, na busca da fidelidade à própria vocação. Mais tarde, apontou para São Vicente de Paulo, cuja vida, totalmente dedicada aos mais pobres e necessitados, deveria servir-lhes como referencial. Refletindo sobre a dimensão ativa e contemplativa, propôs como patrono Santo Inácio de Loyola e Santa Teresa d´Ávila, mestra de vida interior. Discípulo de São Francisco de Sales, dele aprendeu as lições sobre o caminho da santidade, pela fidelidade a Deus, na simplicidade da vida cotidiana.

O dia da fundação foi marcado por três momentos fortes: uma hora de meditação da Palavra, celebração Eucarística, café da manhã, missão na escola feminina de caridade do Gromo, já em funcionamento desde março de 1823. Nesses três momentos estão presentes as grandes dimensões da Vida Consagrada: união com Deus, para as FSCJ especificamente, a centralidade da Eucaristia e da Palavra, a vida fraterna e a missão como conseqüência e como lugar da concretização da resposta à Palavra e à Eucaristia.

Outro indicador da espiritualidade das FSCJ são as festas do calendário litúrgico, especialmente celebradas: Anúncio do Senhor, Natal e, naturalmente, a festa do Sagrado Coração de Jesus. Nestas está presente todo o Mistério Pascal de Jesus, desde a Encarnação até a abertura do seu Coração, no alto da cruz.

Santa Teresa Verzeri, no Livro dos Deveres, onde da espiritualidade das FSCJ, sublinha a importância da fidelidade ao magistério da graça. Seguir com docilidade as moções do Espírito, sem querer traçar o próprio caminho.

No evangelho de Mateus, encontramos como herança dos Fundadores, – Giuseppe Benaglio e Santa Teresa Verzeri - a chave de leitura do Evangelho para as FSCJ: “Aprendei de Mim que sou de coração manso e humilde”(Mt. 11,29). A santificação consiste em investir-se dos mesmos sentimentos do Coração de Jesus. Entrar a Escola do Coração de Jesus, contemplar, estudar, aprender Dele o caminho da santidade, praticar as virtudes que Ele praticou, especialmente a caridade para com o Pai e com o próximo são dimensões essenciais da espiritualidade, segundo a tradição das FSCJ.

Isso podemos comprovar no Livro dos Deveres quando Santa Teresa Verzeri afirma: “Jesus Cristo, a vós e ao vosso Instituto fez o precioso dom do seu Coração, para que, não de outros mas dele, aprendais a santidade porque Ele é da verdadeira santidade a fonte inesgotável.” assim se expressa Santa Teresa Verzeri no final do Livro dos Deveres. Do dom recebido vem o nome: ‘Filhas do Sagrado Coração de Jesus, filhas do amor’. Tudo deve acontecer na simplicidade verdade justiça relação de proximidade coração a Coração, pensando conforme o íntimo do Coração de Jesus, tornando-se como Ele, eucaristia para o mundo.



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