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Irmãs Filhas do Sagrado Coração de Jesus: 80 anos de presença Missionária no Brasil


1) Quando e de onde vieram?

Século XX, ano 1930. Décadas haviam passado desde que Monsenhor Guiseppe Benaglio e Sta. Teresa Verzeri haviam sonhado enviar as FSCJ em missão ad gentes. O sonho que durou 36.500 dias e 36.500 noites, não acabara.

Continuava vivo nos corações das Filhas, espalhadas em múltiplas comunidades da Itália.

O Pe. Vicente Testani, zeloso missionário italiano, que exercia seu labor apostólico na quase desconhecida vila de Buricá - RS, hoje Três de Maio, percebera a importância de ter em sua paróquia Irmãs educadoras da fé de crianças; jovens e adultos; zeladoras da saúde do povo; formadoras de cidadãos e cidadãs de fibra cristá. E identificou tais Irmãs com as FSCJ. Viajou à Itália com um propósito: não voltar sem trazer Irmãs para acompanhá-lo na missão evangelizadora. Teimou em seu propósito, conseguindo assim ser instrumento da concretização do sonho dos Fundadores.


2) Como Vieram?

Novembro de 1930, dia 20. O vapor Conte Rosso levanta âncora e, lentamente, deixa o porto de Gênova rumo ao Brasil. O grande transatlântico carrega em seu bojo centenas de passageiros, entre os quais 7 mulheres vestidas de preto, cujo olhar perscruta o futuro, carregado de mistério e de esperança. São elas:


2.1) Irmã Maria Antônia Perini - de singular espírito missionário.

2.2) Irmá Jesualda David - exímia testemunha de jovialidade e alegria.

2.3) Irmã Rosa Valsecchi - portadora de uma espiritualidade embelezada pela música.

2.4) Irmã Nicolina Corvatta - enfermeira moldada à semelhança do coração compassivo de Jesus.

2.5) Irmã Josefina Zeni - evangelizando através das belas artes.

2.6) Irmã Vitória Rota - perfumando o ambiente com sua simplicidade.

2.7) Irmã Juliana Varesco - zelosa apóstola dos pequeninos.

As qualidades das 7 pioneiras não passam despercebidas aos numerosos passageiros e tripulantes do Conte Rosso que se sentem motivados a rezar durante a longa travessia.

No dia 1º de dezembro, o transatlântico aporta no Rio de Janeiro. As 7 pioneiras, com os olhos marejados de lágrimas, contemplam o Cristo do Corcovado, que as recebe de braços abertos e parece lhes sussurrar; "Há um século estava esperando por vocês! Bem vindas! Bem- vindas, a esta terra de Santa Cruz, tão amada pelo meu Coração misericordioso!


3. Para onde e para que vieram?

28 de dezembro de 1930, domingo cheio de sol, as pioneiras chegam à meta de sua longa viagem: a vila de Buricá. Com as vestes empoeiradas e os corações límpidos de esperança, exultam pela singela e bonita recepção com que o povo as acolhe, com entusiasmo e admiração. E elas não o decepcionam.

Desde os primeiros dias, sem prestar atenção a dificuldades, arregaçam as mangas e assumem decididamente a missão para qual vieram: educar gerações, aliviar sofrimentos e formar corações. E logo ocupam os espaços disponíveis e possíveis. Visitam famílias, ensinam catequese, cultivam artes e recreação; abrem escolas, criam hospitais, assumem orfanatos e creches, despertam vocações.

Em pouco tempo, o grupo das 7 se revela um núcleo de fé, esperança e amor ao Sagrado Coração de Jesus e o povo percebe que elas "crescem em sabedoria, graça e número diante de Deus e das famílias que lhes confiam seus filhos" Cf. Lc 2,52.


4. Que herança nos deixaram?

Pelo seu testemunho, legaram a atual e futuras gerações uma bagagem superabundante de bens espirituais, culturais e materiais, herança que pode ser resumida em 8 itens.

4.1) Vivência profunda do Carisma da Congregação.

4.2) Admirável ousadia apostólica e criativa.

4.3) Fé e piedade fervorosa e atuante.

4.4) Esperança sem limites.

4.5) Trabalho Pastoral e material persistente.

4.6) Espírito Missionário carregado de entusiasmo.

4.7) Fidelidade ao cultivo da oração e ao Espírito da Congregação.

4.8) Amor crescente pela causa do Reino em favor do povo, no país de adoçã: o Brasil.

Agora é o tempo oportuno de assumir esta herança e fazê-la frutificar sem parar (cf 2 cor 6,2).


(Texto escrito por Ir. Augusta Ghisleni (in memorian) para a revista dos 75 anos de Presença Missionária da FSCJ no Brasil)


Neste ano, todas as FSCJ, seus familiares, colaboradores, amigos, amigas e benfeitores são convidadas (os) comemorar os 80 anos de fecunda presença missionária das FSCJ neste país.

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