Nas origens da VR, na sua versão moderna, esteve o apelo dos sofredores: doentes, pobres, menores abandonados, vítimas de guerras, perseguidos, migrantes e tantos outros seres humanos, desfigurados pela maldade e pelo egoísmo alheio. As histórias das congregaçães começam sempre com a abnegação de cristãos e cristãs que, interpelados pelo outro necessitado, deixam tudo e, em extrema pobreza, se tornam servidores misericordiosos do próximo caído nas estradas da história.
O Mestre Jesus apela aos religiosos para que retomem o caminho onde encontrarão os irmãos e irmãs sofredores, a quem são chamados a servir. Sem o confronto direto com o rosto do outro, que desencadeie a dinâmica da misericórdia, será difícil aos religiosos se colocarem no caminho da vida eterna.
Trata-se, afinal, de voltar às raízes da vocação.
A vocação sadia e evangélica nasce do desejo de servir o próximo necessitado.
Este passo será dado na condição de se caminhar na contramão do individualismo e do narcisismo. Romper a tirania do eu será pré-requisito para se entrar na dinâmica da misericórdia. Pessoas narcisistas e individualistas serão incapazes de dar o passo na direção indicada pelo Senhor. Estão de tal modo mergulhados no próprio mundo, a ponto de não terem tempo para o outro, muito menos o outro sofredor.
A vocação sadia e evangélica nasce do desejo de servir o próximo necessitado. Outras motivações geram vocações inautênticas. Entretanto, são muitas as tentações para nos desviarmos do bom caminho, do amor primeiro. Assim, o Senhor nos convida a passar por um processo de conversão.
Uma pergunta está sempre no horizonte dos religiosos e religiosas:
- "Que mais posso fazer para servir o meu semelhante em suas necessidades?"
Só quem rompeu com os esquemas estreitos da modernidade será capaz de se auto-questionar e encontrar a devida resposta. O Evangelho nos dá pistas bem precisas para identificar quem é o próximo, que nos desafia a sermos misericordiosos! A voz do mestre, por sua vez, ecoa em nossos corações: